domingo, 11 de outubro de 2020

Comemorando os 50 anos da Elsa - fotos da Elsa, Inês e Nuno em crianças

Elsa
                                                                       Inês, Nuno e Elsa

Elsa

                              Os três primos a brincar no quintal da Malaposta


                                       Elsa e Nuno no relvado de Belém
                                               Malaposta, à lareira

                                          No rio do quintal da Malaposta


                                               Malaposta - Anadia

                          Elsa a bordar com a avó Teresa, Malaposta


                                   Os três primos à janela do comboio na Curia

                                       Jardim do Velho, Restelo





 

sábado, 3 de outubro de 2020

ORDENS E REGULAÇÃO, NOVOS ATAQUES ?

Temos visto ao longo das ultimas décadas que cada vez que  há falta de  assunto  controverso na actualidade política e muito à medida das agendas partidárias ou até pessoais de muitas gente e também da comunicação social, há uns quantos "bombos da festa”  habituais  que servem para  preencher esses tempos, os discursos, as páginas e os noticiários.


Entre eles, estão a regulação, as profissões reguladas e as Ordens Profissionais.
Foi agora noticiado que alguns  partidos  e talvez a AR  em termos gerais, consideram a hipótese  de rever os poderes e a actividade das Ordens Profissionais, o que só pode ser feito através de uma revisão e reformulação da Lei Quadro das Associações Publicas Profissionais, uma vez mais.

A meu ver, pelo que conheço sobre esta matéria das   “profissões reguladasl”, das Ordens e do seu papel importantíssimo desempenhado na defesa do interesse publico nas múltiplas vertentes de cada uma das profissões abrangidas pelas Ordens Profissionais, considero um erro muito grave  tratar estes assuntos ao sabor de modas conjunturais, de inspirações de momento de alguém que acorda para um novo dia e pensa ter tido uma ideia luminosa, uma opinião que lhe irá dar mediatismo e talvez  originalidade. Tão só porque os ventos sopram nesse sentido porque alguém escancarou portas que deviam prudentemente  estar a resguardar  o que dentro de casa se deve passar  e o que ao domínio publico é devido.

É um  tema que proporcionaria  páginas e páginas de exemplos  ilustrativos das razões que levam à  defesa da regulação e no desmontar dos perigos para a sociedade do que seria entregar total e unilateralmente todos esses poderes   ao Estado ou ao Mercado. Há de facto os defensores do liberalismo puro e duro, avessos frontalmente à regulação de certas profissões fundamentais. No fundo, não pelo que  invoca e dizem que o mercado    é  uma forma perfeita  de atingir equilíbrios e eliminar o que não tenha qualidade mas, sim, por nessa formula verem uma forma pretendida e calculada para fazer mais dinheiro fácil, ao arrepio do interesse publico.
O mercado é muito importante para observar, ter em conta as necessidades da procura, o interesse e exigências dos consumidores, por um lado, e as características da oferta, a variedade, os preços e disponibilidade ou escassez da oferta. Mas se é muito importante por isso mesmo, não haja ilusões porque milagres ou o papel de 2endireita2, não o faz.


Está ainda fresco nas memórias de cada um por ser uma realidade de um passado não muito distante, anos 90,  a descoberta deste cantinho da Europa  por parte de muitos profissionais oriundos do outro lado do Atlantico, cujo desempenho motivou  muitos protestos por parte dos utentes provenientes, sobretudo na área da saúde e em particular dos médicos dentistas ou a invasão das chamadas clinicas de estomatologia, unidades de prestação de serviços de saúde que começaram a proliferar como cogumelos e, não fosse a acção decidida por parte da respectiva Ordem Profissional portuguesa, não só na exigência das condições efectivas necessárias para a prestação dos serviços com mínimos de segurança higiénica e técnica, bem como das competências e acreditarão por via das análises curriculares dos cursos e das escolas que os ministraram, trabalho feito não sem ter em conta as entidades académicas e de relação dos países de origem mas efectivamente em conjunto com as portuguesas. E, aquilo que parecia ser já uma praga e um segadora fácil de fundos aos utilizadores portugueses, foi normalizado, sem conflitos com os países de origem e preservando o interesse publico nacional, a saúde das populações. Deixou de se ouvir falar. O mesmo aconteceu noutras Profissões Reguladas, não só na medicina dentária.

Falemos ainda dos engenheiros onde havia nos anos  do início do novo século  só em engenharia têxtil, diversíssimos cursos, de teares de fios finos, de fios grossos, só faltava de fios finos azuis e fios finos amarelos e o mesmo se repetindo para os fios grossos ou médios. 
Claro que tudo isto, e a criação desenfreada de inúmeros cursos universitários sem  aderência de qualquer espécie ao mercado de trabalho, ás necessidades do país e à economia real, só serviu ao lobi  das universidades para facturar propinas dos alunos e subsídios do Estado, causando traumas nos jovens que sempre viram viver com a dignidade mínima qualquer um que tivesse tido a possibilidade de tirar um curso superior, digamos “ter um canudo”. Agora, depois dos esforços pessoais viam-se numa caixa de uma qualquer grande superfície ou, pior do que isso, no desemprego duradouro !

or sua vez, os pais, depois de uma vida de esforços, sacrifícios e privações para terem um filho “doutor”, acumulavam traumas e vergonhas de um mal estar social causado pela comprovada falta de sucesso que não era mesmo da sua responsabilidade.
E quem teve que lançar mãos à obra, os Reguladores do exercício dessas profissões alertando e procurando corrigir o que  se passava ou o mercado, o tal liberalismo miraculoso que tudo estabiliza e resolve?
Claro que, uma vez mais foram as Ordens Profissionais. 

Faltou em dignidade e vergonha, ao sector das universidades viradas exclusivamente para o comércio de “canudos” assumir a falta de vergonha, dar ambas as mãos à palmatória, que uma só não chegaria.

E que fique bem claro que ter mais jovens, mais população qualificada, licenciada e doutorada é essencial e necessário. Mas com conta, peso, medida e honestidade de processos. Coube ás Ordens  alertar para os aumentos exagerados em determinadas profissões e para a falta de aderência ao mercado de trabalho, claro.


Quase coincidiu e fizeram  lembrar o famoso Senhôzinho Malta, o “médico cirurgião dentista” da muito vista telenovela brasileira inspirada na obra de Jorge Amado. 

Tivessem as entidades de regulação portuguesas feito vista grossa ou não existissem, tivesse sido o mercado a separar o trigo do joio e muitos estariam hoje a lamentar perdas irreparáveis de gente que lhes é querida, conhecida ou a contar e lamentar situações irresponsáveis e irreparáveis.

A regulação de profissões que inferem directamente no bem estar, nos direitos fundamentais consagrados na Constituição, meramente para ilustrar, cito a saúde e a justiça, é não só muito importante como fundamental num Estado que se quer de direito, livre e de equilíbrio nas oportunidades e na protecção social. Equilibrio pois que igualdade é utópico, irrealista e nunca atingível.

Mas, uma coisa é muito certa. Se os responsáveis das entidades reguladoras do exercício da profissão ( as Ordens Profissionais) derem  facilidades à critica e contestação dos que se colocam regular e militantemente contra a regulação, em palavras muito simples, se se colocarem  “a jeito”, é sabido que os ataques não se farão esperar como agora foi já anunciado.

E não se colocar “a jeito”, será actuar única e exclusivamente  concentrados nas exigências, aptidões e práticas no exercício da respectiva Profissão  Regulada.
Refiro-me, sem rodeios, a cada um e a todos os Senhores Bastonários.

As Ordens Profissionais são Associações de direito público que actuam com poderes delegados pelo Parlamento, única e exclusivamente para regular o exercício da respectiva Profissão.
Cada Ordem Profissional tem as especificidades próprias a cada uma dessas Profissões Reguladas e o quadro legislativo e normativo que as regula e lhes confere poderes delegados pela Assembleia da República, está vertido nos Estatutos próprios, agora, através da chamada nova Lei-Quadro das Ordens Profissionais.
Ser Bastonário, foi sempre nos meus tempos de juventude, uma distinção muito importante. Sempre, pessoas e profissionais da maior competência, pessoas integras e dispostas a exercer cargos e mandatos sempre pro bono, que os Estatutos impediam qualquer remuneração aos dirigentes e Bastonários. Movimento associativo na sua pureza.
Recordo Bastonários, dos que já passaram e com quem privei, como Pires de Lima, Germano de Sousa, o Enfermeiro Germano Couto, a Enfermeira Maria Augusta de Sousa, Maria Irene Silveira, Pedro Nunes, António Simões Lopes, José Miguel Júdice, Rogério Alves, Helena Roseta, Fernando Santo, José Manuel Silva, o Prof. Carlos Ribeiro, Maria de Jesus Serra Lopes e Castro Caldas nos Advogados e muitos outros.
Sempre, mas sempre mesmo, foi observada com todo o rigor uma regra simples mas essencial ao funcionamento e entendimento de todas as Ordens e Profissões naqueles fóruns comuns em que se reuniam mensalmente, o Conselho Nacional.
Essa regra era a que distinguia completamente as Ordens dos Sindicatos de cada profissão e outra que impunha que ao Conselho apenas interessavam os pontos, aspectos e assuntos transversais a todas as Ordens e Profissões. Se assim não fosse, dadas as especificidades e diversidade de todas elas, não haveria entendimento e dialogo possível.
Por isso, vi com muito agrado a passagem como Bastonários de pessoas que vinham directamente do movimento sindical, dos sindicatos, como o Dr. Pedro Nunes nos Médicos e Maria Augusta de Sousa, nos Enfermeiros, para dar dois exemplos agora muito elucidativos.
E, nunca por nunca, qualquer destas pessoas, Bastonários, misturou os respectivos papeis. Uma vez Bastonários, foram sempre os assuntos e matérias relativos ao exercício das respectivas profissões, para os quais tinham poderes delegados pela Assembleia da República, que os norteou.

A credibilidade e honorabilidade de um Bastonário, desses tempos idos, não se compadecem com a mistura nas lutas políticas. Um Bastonario desses anos, entendia e cumpria que representava profissionais ideologicamente situados em todo o espectro politico. Por isso mesmo, deixaram sempre a política aos Partidos e dessa forma adquiriam maior independência, credibilidade e maior poder negocial e representativo para as Ordens, para as respectivas Profissões Reguladas.
E isso não era impeditivo da intervenção publica forte, como verdadeiros agentes, defensores e actores da Sociedade Civil organizada.

É muito importante que antes de assinar deixe bem marcado que a regulação das profissões ás quais o Parlamento entendeu constituir em Ordens e delegar poderes de Regulação do Exercício da Profissão, seja defendida.
E, nunca por nunca, misturada ou metida nos diversos sacos das reprimendas das actuações pessoais ou políticas de quem quer que seja, mesmo que nelas possa ter poderes de decisão.

Carlos Pereira Martins



  

domingo, 20 de setembro de 2020

A BEM DA ECONOMIA E DOS ECONOMISTAS

 

É recorrente a minha afirmação e insistência no facto de a economia ser uma ciência social e não uma ciência exacta. Ou seja, não há resultados exactos e definitivos quando alteramos os valores ou as políticas que os determinam, actuando sobre uma variável, o investimento, o rendimento, os salários, o consumo ou o emprego.

Actuando sobre uma variável, tudo o resto pode com enorme probabilidade vir muito alterado também.

Pois bem, mas há sempre que ter presente que os economistas trabalham com muitas técnicas das ciências exactas, designadamente da matemática, estatística e seus recursos e modelos de grande complexidade, entre outros.

Nas escolas e faculdades de economia aprendemos sobretudo a construir "modelos" económicos, modelos econométricos, a trabalhar com eles, a evoluir de acordo com a experiência dos anos, dos conhecimentos científicos e a experiência profissional de cada um.

Claro que me refiro à macroeconomia, ás análises da conjuntura que é a situação da economia no curto prazo e também ás análises e previsões dos cenários macroeconômicos de médio e longo prazo.

Uma chamada para a memória que guardo de brilhantes economistas nacionais, como Pereira de Moura, Silva Lopes, Manuela Silva ou Antonio Simões Lopes, Bastonário que acompanhei em várias Direcções da nossa Ordem.

Todos eles, depois de uma reunião, debate ou longas reflexões, costumavam dizer: "ó diabo, vou introduzir isto lá em casa nos meus modelos" !

É a diferença entre um Economista e um comentador ou conversador de roda de amigos, de mesa de café ou de painel de televisão.

Claro que qualquer destes, nestas circunstancias que referi, pode ser licenciado em economia, ter cursos e mestrados, mas uma coisa é opinar como Economista, profissional e sério, outra é ao nível do cidadão comum ainda que com maiores bases teóricas. Mas, sem falar indo primeiro ver o que lhe diz um modelo económico, cientifico e com bases mais ou menos solidas,  não será falar ou prever como Economista.

Depois há a divulgação ou confidencialidade e reservas nos modelos pessoais construídos por cada um nos bancos da faculdade e aperfeiçoados e desenvolvidos ao longo da sua vida pessoal, académica e profissional.

Refiro-me sobretudo aos Economistas macro, não aos financeiros e muito menos aos chamados gestores de empresas. Aí, claro que os modelos e estatísticas, métodos de previsão, são muito úteis mas não são esses os modelos económicos a que aqui me refiro.

Nos mandatos que fiz como Membro ou Conselheiro do CES, Conselho Económico e Social, recordo várias promessas da mais tarde formada UTAO e dos Ministérios da Economia ou do Planeamento, a pedido dos parceiros sociais, promoverem  visitas aos seus serviços para mostrarem e explicarem os fundamentos com que eram elaborados os cenários macroeconómicos  que serviam de base aos Orçamentos de Estado anuais e que requeriam o Parecer do CES.

Claro que nunca foi feito. Aliás, diz-se que o segredo é a alma do negócio e um modelo utilizado tem que reflectir sempre as opções das várias políticas de cada governo.  NINGUÉM QUERERIA DESTAPAR  POR COMPLETO A MANTA DAS OPÇÕES POLÍTICAS QUE TOMAVA.  Daí que todos esses modelos  viessem a ser ou fossem contestáveis, criticáveis, objecto de  "faladuras" por parceiros sociais com interesses muito diversos. E, daí, só viria descrédito e mais confusão.

Em resumo, não dou atenção nem credibilidade aos discursos,  opiniões , anuncios positivos ou de desgraça de colegas economistas, muitos creio que  serão apenas  "pseudo", quando vejo que aquilo não foi bebido de forma séria dos seus modelos económicos de trabalho e profissão.  Que sejam apenas comentários como um médico dentista ou um biólogo poderia fazer como cidadão de iguais e plenos direitos.

Mesmo os que "tratam a coisa a sério", cada um tem o seu valor e credibilidade conforme o saber e experiência reflectidos nos modelos que usam.

Um economista   sério, profissional, credível, vai simular  antes de falar publicamente, no "seu modelo", por modesto e rudimentar que seja, o resultado que lhe pedem para comentar  mais tarde. 

Outra coisa, bem verdadeira, é que  prever,  claro,   não é adivinhar. A qualidade das previsões mostra-se na amplitude dos desvios mais tarde verificados. É sempre de desconfiar das previsões que não apresentam desvios no final. Poderá significar que algo estava inquinado, talvez os resultados reais, finais, estejam  fabricados, tornados cor de rosa, com o se usa dizer.


Muitas pessoas confundem ou ignoram o que é um economista. Recordo um colaborador, meu subordinado na altura, que me acompanhava muito em viagens junto das Comunidades emigradas e que, nesses anos em que muito me preocupavam os critérios de reconhecimento dos cursos e a atribuição das cédulas profissionais para o exercício da profissão por parte da Ordem dos Economistas cuja Direcção integrava, quando a conversa se proporcionava me dar conta da sua perplexidade e duvidas. Sintetizava assim,: "Ó senhor doutor, assim não me diga que o engenheiro Belmiro de Azevedo por ser engenheiro, não é dos melhores economistas portugueses...". E lá lhe tinha que recomeçar a conversa do que é um bom gestor, um excelente empresário e um profissional conhecedor e formado na ciência económica. Coisas da vida. São tão comuns !

Carlos Pereira Martins

(Economista)






segunda-feira, 14 de setembro de 2020

OPINIÕES



Tenho um certo orgulho na atitude que sempre mantenho, e faço-o já sem esforço,  de respeitar as opiniões diversas que me chegam, por vezes diametralmente opostas aquelas que eu possa ter.
E, só depois, tento analisar as razões de quem pensa de forma diversa. E, se acho que as minhas poderão contribuir para fazer pontes entre "extremos", torno-as publicas.

Por vezes custa-me, outras vezes não consigo mesmo chegar a entender o que motiva certas raivas, ódios, comentários e mesmo insultos a pessoas que de longe não os mereceriam, muitas vezes até diria "pelo contrário".

Li hoje escrito por mais do que uma daquelas pessoas que neste tempo de tecnologias muito avançadas começamos a tratar por amigos, um comentário sobre a Directora Geral de Saúde que me deixou perplexo. Ainda faço a diferença, deixo passar mas, para mim, amigos ou Amigos são outra coisa.

Claro que entendo a forma como ao longo do tempo, da vida vivida, da posição de cada um dos nossos pés no chão que pisamos, do meio social e politico que nos rodeou desde o acto da gestação, o nosso pensamento e posicionamento ideológico foi formado.

Concretizando o exemplo que motivou estas linhas, escrevia hoje alguém, seguiram-se  escritos muito parecidos de "outros alguéns", todos me vieram parar por todos serem "amigos"  de "amigos meus", que é inadmissível, é de uma incompet~encia atroz, que já deveria há muito ter sido demitida uma pessoa  que cheguei a dizer na televisão que usar mascaras faz mal. E referia-se à Dra.  Graça Freitas, passando a atribuir-lhe a ela e à Ministra da Saúde, outros exemplos de ignorância logo seguidos de pomposas ofensas pessoais como "bruxas" e quejandos.

Uma afirmação prévia de minha autoria: mas é claro que ter uma mascara na cara que obriga a respirar ar que já foi espirado, ainda que pouco possa sr, faz mal, ou bem não faz. Só fará bem no sentido da prevenção, claro. Mas de facto FAZ MAL! Antes não fosse necessário.

Também entendo a luta política e o que a motiva, os interesses materiais,  financeiros, industriais e outros, ora se não entendo... , e bem vejo como cá, na Europa tão União mas tão diversa, nos Estados Unidos da América, Brasil e noutras paragens, as forças que se julgavam afastadas da possibilidade de repetirem as atrocidades que no inicio do século XX tentaram em duas guerras generalizadas impôr à humanidade, estão já de pulmões bem cheios de ar venenoso e ansiosos de o expelir logo que o possam fazer.

Quanto ao tema de Graça Freitas, usar essa sua afirmação ou comentário nesta altura, nestes dias, com a experiência que tivemos todos que adquirir e aprender por nós próprios, é impróprio.
Apetecia-me qualificar de desonestidade intelectual  e talvez não só. Não o faço porque não conheço suficientemente as pessoas que li para o fazer em consciência.
Poderá ser apenas falta de educação, de cultura, de conhecimentos, de saber viver e sociedade respeitando todos os que respeito mereçam, poderá só e apenas ser um escape psicológico para soltar as angustias, as raivas, os medos e as revoltas que toda eta situação com que fomos brindados e que, para quem professe alguma fé, não importará saber que religião, significará que os deuses do amor, da bondade por todos os homens, foram mais uma vez pelos deuses dos ódios e das vinganças, pelos demónios.

Neste processo do CIVID, não há certezas, não há quem possa garantir o amanhã, a cura, a mezinha ou o que quer que seja.

Usar a afirmação quanto ao uso de mascaras feita numa fase em que muito menos do que hoje ainda se sabia, as mascaras eram um bem só ao alcance de quem tivesse bons contactos na industria e dinheiro nas contas, em que de país para país, de centro de investigação cientifica para outro centro de investigação as opiniões eram divergentes ou opostas quanto ao uso da mascara fora das situações de  doentes infectados para prevenção dos outros e de si mesmos, será no mínimo significado de malvadez, ignorância e falta de princípios.

As coisas, o que se diz, escreve ou faz tem um tempo em que é feito. E esse tempo corresponde a um determinado estado do conhecimento disponível. Tudo tem que ser contextualizado.

Reparem que não me cumpre nem quero passar por defensor de Graça Freitas. Nessas matérias não tenho sequer competência.

À Dra. Graça Freitas e a quem a rodeia, bem como aos milhares de Agentes de Saúde que na hierarquia se colocam abaixo dela, só tenho uma coisa a dizer-lhes:

MUITO OBRIGADO, BEM-HAJAM !

Carlos Pereira Martins
(cidadão português no pleno uso dos seus direitos de cidadania)

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

A FACE E O REVERSO, OU É TUDO IMAGEM ÚNICA ?


Conteúdo partilhado com: Públi
Tenho um enorme privilégio de ter vistas amplas, espraiadas e sem obstáculos pela frente das janelas dos dois lados da minha casa.
De um lado, sobre uma das maiores escolas de Lisboa, a Delfim Santos, o estádio da Luz e o Colombo.
Do lado oposto, sobre todo o enorme complexo dos Maristas de Lisboa e a Serra de Monsanto.
Vou muitas vezes verificar que o mundo lá fora ainda existe e continua a rolar com normalidade ás janelas do lado da escola Delfim Santos. Toda aquela juventude, correrias, tontarias, me transmitem uma agradável sensação de também eu poder ainda ser um deles, ter ainda a alegria e o fogo no rabo, como se dizia quando eu tinha a idade deles, aquela genica toda !
E fico confuso pois vejo logo à entrada dos portões, do lado de fora, muitos coletes amarelos, de funcionários, da policia municipal que dá muito apoio, talvez até de pais, que impedem que algum jovem utente entre sem máscara, sem observar as devidas e exigidas precauções. A escola ainda não abriu mas o movimento de quem terá por lá coisas a tratar já se nota muito.
Entretanto, chegam, como canta o meu amigo Carlos do Carmo, alguns em bandos, muitos putos a transbordar de vida e estando-se nas tintas para os vírus e covids.
Será discriminação de género mas é o que os meus olhos têm visto. Sobretudo elas, miúdas de 10, 12 a 14 anos, chegam aos pares ou em quartetos e lançam-se nos braços dos que já por ali estão, no passeio, do lado de fora da escola, nas esplanadas, na casa que vende gomas, na creperia !
Em abraços apertados e até muito demorados. Sempre com beijinhos à mistura a eles, aos miúdos, e a elas. Quase todas e todos sem mascaras.
Claro que os afectos e amizades são um valor fundamental. Mas nesta altura o sentido de responsabilidade, clareza de espírito e respeito por todos e por aqueles que nos dizem mais, se sobrepõe.
Fico a pensar na razão de ser de todos aqueles coletes amarelos. Não é que não lhes dê valor, é uma questão de posicionamento. Deveriam estar muito depois. Antes deles deveria estar a Educação, a básica, as bases, a educação para a cidadania, a lá de casa que tanta falta faz...!
E, eis senão, quando regresso a uma sala e tento por-me em dia com as noticias, passo por vários canais e o tema é mesmo, a exigência de manter os alunos a metros de distancia nas salas de aulas, nos recreios, entre eles em todo o sitio. E que com os pequeninos vai ser muito difícil...
Fico a pensar na razão de ser ou se os jornalistas e comentadores que continuam há horas a insistir nas medidas para isolar esta população jovem nas escolas, a "dar na cabeça" de professores, autoridades de saúde e governantes por não serem mais eficazes, terão alguma vez tido a visão do mundo real que eu posso ver das minhas janelas. Do tal mundo que vou verificando que continua a rolar, como o Planeta.
Sei que o tema é recorrente, muitos estão saturados dele, já não querem sequer ler nem ouvir.
Mas é o que vejo do mundo real, das minhas janelas, cheio de vírus, micróbios, juventude, velhice e vontade de viver.
Carlos Pereira Martins